Resolvi arriscar um vôo solo com um médico da equipe do São Luiz. Dessa vez cheguei sozinha ao consultório e ao contrário do anterior já começei olhando as rachaduras ou qualquer outro motivo que me fizesse correr dali. Afinal precisava me preparar para o combate. Não foi necessário, o médico veio me atender depois de um belo atraso (natural para um médico até então) sem jaleco! Ponto dele.

O médico vestia uma blusa xadrez como se tivesse saindo de uma festinha junina dentro da sua sala de consulta. Imaginei uma ajudante lá dentro nessa hora. Desculpa, não sou fresca, mas nunca em minha vida havia visto um médico atender sem jaleco. Até esse momento, achei apenas estranho.

Entrei na consulta e ele perguntou pelo meu marido. Eu disse apenas que dessa vez estava sozinha (tentei ser honesta), mas então ele me perguntou se era realmente casada, e eu não sei como pude responder essa pergunta ao invés de me levantar e ir embora. Depois tentou explicar dizendo que não cuidava da mãe e sim do pai da criança por que os casais costumavam se separar após 2 anos do nascimento de seus filhos. Ok!! Basta!!! Mirei os dedos dele e vi que roia os cantinhos das unhas… Ele escondeu as mãos de mim e continuou falando um monte de bobeira enquanto eu procurava por algum sinal naquela sala que me comprovasse que aquele homem era médico mesmo. Não encontrei nada, nem uma balança muito menos um diploma!  A essa hora já estava em transe, certa que não era a escolha e confesso que a voz do homem foi sumindo até seu telefone tocar e ele atender no meio da consulta: “Ok sem estresse, chego aí no hospital em 5 minutos para essa anestesia”. Como assim se eu tinha acabado de entrar na sala??

Foi aí que ele deu o golpe final no melhor estilo Street Fighter e pediu para eu perguntar qualquer coisa por que senão ele não poderia me consultar daquele jeito, a não ser que trouxesse em uma próxima vez meu marido e uma listinha anotada de dúvidas. A única coisa que me veio foi: “Posso fazer drenagem linfática?”.

Por mais idiota que essa pergunta tenha sido, mesmo que tenha saido de uma grávida em game over, o homem respondeu: Não vou saber te responder tudo aqui assim mas acho que isso é aquela massagem de cócegas que vocës mulheres fazem né? Claro que pode, imagina se fosse uma índia minha querida?! Seu filho nasceria no meio do mato. Não complique tanto as coisas assim!”

Saí correndo daquele lugar para nunca mais e se tem uma coisa para pensar disso tudo é que meu bebê terá histórias divertidas para ouvir quando crescer.